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Autores e seus pseudônimos
Poetas e suas editoras
Existe um novo cordel?
Artigo da pesquisadora Maria Alice Amorim sobre
as relações entre cibercultura e tradição, sobre
as relações entre a produção cordelística clássica
e a de hoje.

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Folhetos, almanaques e folhas volantes: eis aí o resumo do que contém o Acervo Maria Alice Amorim. O conjunto das folhas volantes oferece novenas, canções, orações, poemas. Os almanaques incluem alguns dos produzidos em Portugal. Quanto aos folhetos, cerca de sete mil exemplares, são praticamente todos brasileiros, à exceção de um corrido mexicano e de quatro portugueses existentes no acervo, que foram adquiridos, respectivamente, num sebo da Cidade do México e num antigo alfarrabista da cidade do Porto. Constituído a partir do início dos anos 80, a coleção ganhou maior consistência na década 90, com o acréscimo de exemplares doados pelo poeta e então sebista Pedro Américo de Farias e, sobretudo, com aquisições efetuadas pela pesquisadora e proprietária do acervo, através de contatos sistemáticos com poetas e editores, não somente do Recife, também do restante do país, em decorrência de viagens, visita a feiras de livros e de artesanato, intercâmbios pela via postal, e, ainda, constantes escambos mediante a colaboração de poetas, sobretudo a do cordelista, editor e xilógrafo Marcelo Soares.

A reunião do acervo começou de maneira bem despretensiosa, sem nenhum intuito de formar extensa coleção, muito mais pelo prazer de acompanhar a produção cordelística e, assim, poder escrever, com alguma pertinência, sobre o tema. Os exemplares acrescidos iam sendo guardados aleatoriamente até que, a partir do ano 2000, quando foi criada no Recife uma grande e anual feira de artesanato, o volume começou a crescer rapidamente, em virtude da presença de autores e editores de cordel, a exemplo dos cearenses José Lourenço, Abraão Batista, Arievaldo e Klévisson Viana, além dos pernambucanos Marcelo Soares e Ana Cely Ferraz. Também a participação efetiva de diversos deles na Bienal do Livro de Pernambuco, inclusive dos membros da Unicordel (a partir do ano de fundação do grupo, 2005), garantiu novos e constantes acréscimos à coleção. Em decorrência desse crescimento, foi ficando difícil, quase inviável, a consulta ao acervo, pois nada estava catalogado, a não ser apenas guardado por ordem alfabética de autor e somente parte dele, ou seja, o que foi colecionado até 2003.

Quando foi aprovado o projeto de digitalização e catalogação, a providência mais imediata foi exatamente a organização alfabética, que já nem existia mais, de meados dos anos 2000 em diante, em virtude de contínuas consultas a temas, títulos e autores variados. Vislumbrar a possibilidade de catalogar e, principalmente, digitalizar o acervo representava, então, um grande avanço em relação ao modo como se poderia mergulhar nele, cruzando dados, agrupando os folhetos por diversos tipos de classificação e, mesmo, em relação ao modo como vinha sendo classificado e acondicionado nas gavetas. Durante o processo de catalogação, como já havia folhetos que, em virtude de pesquisas em andamento, estavam agrupados por temática, ficou decidido que esta classificação seria mantida. Um exemplo é do atentado às torres gêmeas, outro é o das pelejas virtuais, que estão registrados como “coleção 11 de setembro” e “coleção ciber cordel”. Quanto aos folhetos cujo tamanho é maior do que o usual 11 x 16 cm, passaram a ser classificados como “coleção livretos”, e, dentre esses de tamanho aumentado, a “coleção Luzeiro” reúne os folhetos daquela editora paulista.

Devido à riqueza de informações, inclusive de elementos gráficos – como a utilização de tipos móveis, gravação de títulos em madeira, uso de zincogravura nas capas, escolha das cores e da composição plástica, sofisticação de gravuras e desenhos –, todo esse manancial nos impeliu à necessidade de registros complementares nas notas de catalogação, o que não foi possível realizar de maneira integral, devido à gigantesca tarefa de catalogar e digitalizar, em apenas doze meses, todo o montante, que extrapola a casa dos sete mil. E foi tarefa gigantesca não somente em volume de serviço, quanto também em qualidade da pesquisa, que exigia sempre a resolução de impasses e de enigmas.

Descobrir o máximo possível o nome completo de autores que utilizam pseudônimos foi uma dessas tarefas difíceis. Outra: creditar, de modo correto, a autoria naqueles folhetos em que apenas aparece o nome do editor-proprietário ou não aparece registro nenhum. Outra, ainda: identificar os artistas que utilizam apenas iniciais nos trabalhos de capa. Mais outra, agora de ordem prática, para facilitar as buscas por editor: uniformizar nome de editoras, quando o registro apresentasse variações, como foi o caso da Fundação Casa das Crianças de Olinda, catalogada sob esta forma, e que também vinha editada como Casa das Crianças de Olinda, e também Tipografia Casa das Crianças. Foi o caso, ainda, da Lira Nordestina, assim catalogada, embora variasse a nomenclatura conforme o acréscimo de Gráfica ou Tipografia.

Para um primeiro passo quanto à sistematização de informações catalográficas de numerosa biblioteca especializada, já se consideraria de bom tamanho somente a possibilidade de poder acessar a ficha técnica dos cordéis no catálogo digital ora produzido, e duplicado em mil cópias de DVD. Entretanto, propositadamente o projeto de pesquisa ousou bem mais, oferecendo a seguinte contrapartida social: a possibilidade de acesso à integralidade do acervo, mediante consulta presencial, em instituição de pesquisa. E, finalmente, pensando em quem tem apenas a possibilidade de visitá-lo na Internet, é oferecida a chance de navegar pelo catálogo no site, onde se viabiliza, inclusive, o constante lançamento de novos dados acerca da movente coleção.

 

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Adalgiso Carlos Oliveira (A. Carlos)
Aluísio Gonçalves da Silva (Canário da Serra)
Alvaro Coêlho Mota (Estácio Ambrósio)
Antonia Maria do Nascimento (Toinha)
Antonio Araújo (Campinense)
Antônio Carlos da Silva (Rouxinol do Rinaré)
Antônio Ferreira (Golinha)
Antônio Gonçalves da Silva (Patativa do Assaré)
Antônio José da Silva (Azulão do Norte)
Antônio Lucena de Mossoró (Poeta Major Lucena)
Antonio Patrício de Souza (Antonio da Mulatinha)
Antônio Pereira (Maracajá)
Antônio Ribeiro da Conceição (Bule-Bule)
Antônio Teodoro dos Santos (O poeta Garimpeiro)
Augusto de Souza Lima (Limeira da Bahia)
Benedito Pedro da Silva (Caetano da Ingazeira)
Carlos Luis de Andrade (Simplício Nogueira)
Cícero Abel Brasil (Abel Brasil)
Cícero Vieira da Silva (Mocó)
Claúdio Magalhães (Zé Cariri)
Daniel D. B. Junior (Batata)
Dorgival Bezerra (Pinto)
Edval Marinho de Araújo (José Gonzaga dos Santos)
Elinaldo Gomes de Medeiros (Boquinha de Mel)
Erivaldo Leite de Lima (Abaeté)
Eronildes de Oliveira Rosa (Palmeirinha da Bahia)
Erotildes Miranda dos Santos (Trovador Nordestino)
Francimiro Pereira Dantas (Miro Pereira)
Francisca Maria Cardoso de Oliveira (Mana)
Francisco Araújo Sobrinho (Araújo de Equador)
Francisco Claudiano Luiz do Nascimento (Claudinho)
Francisco Correia Lima (Correinha)
Francisco Correia Lima (Francorli)
Francisco Fernandes da Mota (Chico Mota)
Francisco Firmino de Paula (H. Rufino / H. Rei)
Francisco Gomes de Paiva Filho (Chicó Gomes)
Francisco Hélio da Costa (Costa Senna)
Francisco Jorge de Melo Sobrinho (Chiquinho)
Geraldo Ferreira da Silva (Geraldo do Norte)
Geraldo Maia do Nascimento (Gemaia)
Gerardo Carvalho Frota (Pardal)
Glauco Guimarães (Dom Regueira)
Gonçalo Gonçalves Bezerra (Gongon)
Guethner Gadelha Wirtzbiki (Gadelha do Cordel)
Homero Fonseca (Zé de Arruda)
Inácio Francisco da Silva (Inácio Carioca)
Isaías Moreira Cavalcante (ISMOCA)
João Antonio de Barros (Jota Barros)
João Campos da Silva Barreto Filho (J. Campos)
João Damasceno Nobre (Amador Silvestre)
João Daniel da Silva (João Terrível)
João Gomes Sobrinho (Xexéu)
João Melchiades Ferreira da Silva (O cantor da Borborema)
Joaquim Mendes Sobrinho (Joames)
Jorge Renato de Menezes (Jorge Filó)
José Acaci Rodrigues (Acaci Rodrigues)
José Amaro (Zé Amaro do Forte Orange)
José Antonio da Concriz (Concriz)
José Antônio Torres, (Zé Catolé)
José Bezerra da Silva (José Zito e Silva)
José Camilo da Silva (H. Raminha)
José Caxiado da Silva (Caxiado / Tita Caxiado)
José Costa Leite (H. Renato / Poeta Espêto / Nabo Seco)
José Dário da Silva (Dário José)
José de Souza Félix (Dodó Félix)
José Edmilson Correia (Zé Mutuca)
José Francisco Borges (J. Borges)
José Francisco de Souza (Zé Francisco)
José Francisco Soares (Poeta Repórter)
José Galdino da Silva Duda (Zé Duda)
José João dos Santos (Mestre Azulão)
José Josíno de Oliveira Filho (Zé Oliveira)
José Luiz (Rouxinol do Norte)
José Manoel de Farias (Zé Miudinho)
José Marciano dos Santos (Zezé de Boquim)
José Maria do Nascimento (Zé Maria de Fortaleza)
José Maria Gonzaga Vieira (Gonzaga de Canindé)
José Mauro de Alencar Correia Júnior (Júnior do Bode)
José Nilton de Oliveira (Aleijadinho)
José Patrício de Souza (Dedé da Mulatinha)
José Paulo Ferreira de Moura (Paulo Dunga/Paulo Moura)
José Ramalho Neto (Zé Ramalho)
José Saldanha Meneses Sobrinho (Zé Saldanha)
José Saturnino dos Santos (Andorinha)
José Severino Barbosa (Guriatã do Norte)
José Soares da Silva (Dila)
José Soares do Nascimento (José Soares Cantor/Violeiro)
José Stênio Silva Diniz (Stênio Diniz)
José Vicente do Nascimento (Zé Vicente da Paraíba)
Lúcia Maria Dores Gonçalves (Luma)
Luciano Lima (Marreco)
Luís Gomes de Albuquerque (Lumerque/Poeta de ferro)
Luiz de Assis Monteiro (Zé Teodoro/Teotônio Flores/Tranquilino Soares/Amâncio Paixão)
Luiz Gonzaga de Lima (Gonzaga de Garanhuns)
Luiz Severino Melo da Silva (Luiz do Horto)
Manoel Alves de Sousa (Manoel Santa Maria)
Manoel Antônio de Miranda Filho (Poeta Miranda)
Manoel Gomes da Silva (Manuvéio)
Manoel Gomes de Melo (Beija-Flor)
Manoel Matusalém de Souza (Tabajara)
Manoel Moreira júnior (Moreira de Acopiara)
Manoel Pereira de Lima (Violeiro Repentista)
Manoelzinho (Aboiador)
Manuel de Azevedo (Mané da Retreta)
Marcelo Alves Soares (H. Romeu / H. Tadeu Luz / Pessoa dos Anjos / Ad. Vinhão Vidente / Joaquim Quincas / Marcelo Olecram)
Marcos Aurélio Gomes de Carvalho (Marco di Aurélio)
Marcus Haurélio Fernandes Farias (Marco Haurélio)
Maria Célia Leal de Souza (Célia Peregrino)
Maria de Fátima Lucas (Fátima Fílon)
Maria José de Oliveira (Mariquinha)
Maria R. Silva (Guriatan)
Mário José da Silva (Barra Mansa)
Miguel Lucena Filho (Miguezim de Princesa)
Olegário Alfredo (Mestre Gaio)
Omolubá (Espírito)
Pedro Batista dos Santos (Poeta Arigó)
Pedro Nonato da Costa (Pedro Costa)
Pedro Onofre da Silva (Pedro Rouxinol)
Peter L. Alouche (Pedro Nordestino)
Rafael Bastos (Rafa da Rabeca)
Raimundo Batista Maia (Edvaldo Guerreiro)
Raimundo Luiz do Nascimento (Raimundo Santa Helena, O Poeta Repórter, O Poeta Marinheiro)
Renato Roque (Bituca da Silva)
Roberto Coutinho da Motta (Bob Motta)
Roberto Francisco de O. Leite (Chico Leite)
Rodolfo Coelho Cavalcante (Trovador brasileiro)
Rosa Ramos Regis da Silva (Rosa Regis)
Ruben Carlo Benante (Beco)
Sebastiana Gomes de Almeida Job (Bastinha)
Sebastião Alves Lourenço (Sebastião Chicute)
Sebastião Leão (Tantão)
Sebastião Palmeira da Silva (Palmeirinha)
Sebastião Rovedo (Sá de João Pessoa)
Severino Francisco de Melo (Severino Melo/Artesão da poesia)
Severino Gonçalves de Oliveira (Cirilo)
Severino José Frutuoso (Mimim)
Severino Milanês da Silva (Severino Milanez da Silva)
Severino Virgínio Bezerra (Severino Inácio)
Sinzenando Cerqueira Lima (Toni de Lima)
T. Xavier de Arruda (Zuzinha)
Tarcísio Laureano dos Santos (Poeta Popular)
Valdeck Costa de Oliveira (Valdeck de Garanhuns)
Vandrigecilio Arcanjo da Silva (Vando)
Vicente Antônio Batista (Derico)
Victor Alvim Itahim Garcia (Lobisomem)
Wagner Porto (Parente)
Zacarias José dos Santos (Palmerim da Silva)
Zacarias José dos Santos (Severino José)

 

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DILA
Xylgra, Cordel e Carimbo
Folhetaria São José
Só Cordel São José
Cordelaria Lagoa de Santo Antônio
Cordxil
Artfolheto São José
Dila-Cordel São José
Folhetaria São Damião
Xilg-Cordel
Sabaó Folheto
Preéllo Santa Barbara
Fhòlhéteia Càra d` Dillas

RODOLFO COELHO
A Casa do Trovador
Agência de Folhetos
Folheteria Cavalcante

JOSÉ BERNARDO DA SILVA
Tipografia São Francisco
Literatura de Cordel-José Bernardo da Silva Ltda
Lira Nordestina
Tipografia Lira Nordestina
Gráfica Lira Nordestina

J. BORGES
Gráfica Borges
Folheteria Borges
Folhetaria Borges
Gráfica J. Borges
Casa de Cultura Serra Negra
Gráfica & Serigrafia Borges

OLEGÁRIO FERNANDES DA SILVA
Olegário Papelaria
Tipografia e Folheteria de Cordel
Folhetaria Jardim da Poesia
Folhetaria Boa Vista
Casa da Poesia
Tipografia e Folhetaria Olegário

MANOEL CABOCLO E SILVA
Folhetaria Casa dos Horóscopos

JOÃO JOSÉ DA SILVA
Folhetaria Luzeiro do Norte
Espólio de João José da Silva

MARCELO SOARES
Folhetaria Cordel

JOSÉ COSTA LEITE
A Voz da Poesia Nordestina

ANTÔNIO KLÉVISSON VIANA
Tupynanquim
Edições Lamparina
Aestrofe

ARIEVALDO VIANA
Queima-Bucha

CLEYDSON MONTEIRO
Imibira Cordéis

JOSÉ HONÓRIO
Edições Cordelnet
Edicordel

ABDIAS CAMPOS
Folhetaria Campos de Versos

FRANKLIN MAXADO
Livraria Cacimbinha
Galeria do Cordel
Livraria Machado Nordestino
Tapera

ALLAN SALES
Editosca Produções de Cordel
Universales Cordelaria

ALTAIR LEAL
Edições Pantera
Pantera Cordelaria

LUIZ ESPERANTIVO
Papel & Cia Folhetaria

DAVI TEIXEIRA
Davi Cordel

LUIZ DE ASSIS MONTEIRO
Confraria da Paixão

JÚNIOR DO BODE
Edição Araripe
Edição Araripy

rodape